quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Samba

Lembro-me de um comentário do Chico Buarque sobre o samba, dizendo que a letra chorava e a música sorria. Minha mãe está aqui ouvindo Adoniran e notei que em muitos sambas paulistas a música também chora. Em compensação, muitas vezes a letra gargalha e nós gargalhamos juntos.



Adoniran Barbosa - Despejo na favela




Adoniran Barbosa - Acende o candeeiro

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Atualizei o post do Epigrama de Seikilos.

O MP3Tube deu pau há algum tempo e a versão músicada de Seikilos foi pro espaço. Depois de procurar um pouco, achei uma que me agradou. Ela veio pro blog e foi para o meu tocador de mp3.


E lembre-se: Enquanto vives, brilha!

=)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ser-Amor

Quem julga o amor inexistente
Precisa rever suas convicções
Sejam elas ontológicas,
Meta ou mesmo parafísicas.

Amor é questão de estado.
É Ser, irrefutável.
Primeira postagem feita pelo celular funcionou!
Embora lento, o serviço se mostrou funcional no texto aí de baixo.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Grud(g)e

É uma vontade de falar sem parar essas palavras grudadas no fundo da cabeça fazendo tampão e que nada tem a ver com palavras entaladas na garganta.

Se me irrito, olho pra mim e passa. O ser humano irritado por algo do dia a dia é coisa ridícula e de pequeneza maior que o motivo de irritação. É só olhar pra si, mas por fora, sem lentes que magnifiquem nosso eu balofo e marrento.

Pronto, desgrudei as palavrinhas.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Um ano

De conquista, de retomada, de tomada mesmo, de esperança, de beijos, de conversas e entendimento.

De desentendimento também. De sorrisos (palavra e ato importantes). De tanta coisa, que nem cabe num ano só.

Que um vire dez e que dez vire sem-fim, porque eu te amo.

terça-feira, 30 de março de 2010

Sono.

A vontade é de ferro, mas a carne é fraca. Esta pede sono; aquela, movimento e tempo dilatado para se poder fazer mais e mais coisas, tudo ao mesmo tempo.

Ser tentacular. Cada braço, uma cabeça e uma vontade. Comer, beijar, ganhar dinheiro, estudar, foder, ler, cantar, imitar e se esconder atrás de si.

Tem horas em que a cabeça precisa de um bom travesseiro. A hora é agora, três e cinquenta da manhã de terça-feira.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Mídia digital e impressa




A argumentação de Umberto Eco parece ser fraca, já que se sustenta em suposições. Ela é, porém, a visada de um apaixonado por livros que constata a partir de dados do passado a materialidade do livro e seu lugar reservado no futuro.

Lanço aqui outro ponto: não consigo enxergar o livro digital suplantando o impresso, já que para muita gente - eu, aliás - o livro enquanto objeto perene e mesmo fetiche é algo essencial.

Eu concordo com Eco, é você?



Vídeo retirado do site do Estadão.
E aqui, a entrevista na íntegra.


terça-feira, 2 de março de 2010

Um bife, uma batata

Minha mãe viajou pra casa de minha irmã, meu irmão mudou-se para seu apartamento e eu me vejo em terra estranha: minha própria casa!

Tomei a resolução de não aceitar ajuda - salvo algum caso especial - e cuidar de tudo. Mostrarei a mim mesmo que posso dirigir as coisas!

O primeiro passo é fazer uma lista de compras, porque a geladeira está vazia...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Canto morto

Morreu Arjuna.
De Aquiles foi-se a fama.
Odisseu, Eneias, Belerofonte
não há mais.
Há só concreto e sangue sob asfalto.
E a lira jaz caída, perdida num canto,
carcomida pelo pó voraz de nossos tempos.
Isolda e Brunhilda não voltarão
Penélope apaixonada também não há mais.

Hoje há só retinas
e os raios de luz absorvidos
O mundo voltado para fora, sem a mínima solução.
Vivemos pois em tempos baços
e heroicos, de rouquidão extrema,
pois as verdades dos outros
cintilam sobre nós
de um modo vulturino.

Já o véu que carregamos aqui por dentro
jamais se derramará
novamente sobre a terra.

Estes sim são tempos heroicos.






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A melhor maneira - ou a única - de começar 2010 é com alguns versos. O próprio canto do poema é prosaico e gaguejante, seja na pontuação, seja no vocabulário sem invenção.
Queria ter disposição para discorrer mais sobre um tema caro, a fantasia e seu lugar no nosso século, mas não tenho pique para isso agora e não terei tão cedo. O que posso garantir é a posição da trincheira, a vigília apoiado na velha alabarda e a comida do hipogrifo de Ruggiero.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Podem escrever compêndios sobre a vitória da melancolia e da sisudez sobre a alegria irrefletida; podem até mesmo carregar uma faca serrilhada na cintura, portando a pretensão de rasgar o véu das ditas 'ilusões'; podem fazer o que desejarem. Nada, porém, é mais sublime que o ser amado olhar para você e dizer, com os olhos cheios de ternura, "Você está bonito hoje".

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Mais avulsos

Há momentos em que o tempo parece se comprimir, dobrar-se a uma vontade alheia e anônima. Hoje passei por algo assim, quando vi a aurora começar a sorrir por trás de uma árvore velha. Pássaros conversando e insetos indo embora, após a noite de vigília rodeando a lâmpada pública, também em frente à minha janela.

O desvelamento paulatino da luz é um efeito mais mágico do que físico; é rotação de um grau da roda, que, decerto, completará seu ciclo, quando, enfim, o recomeço - ou será o desfim? - tocar sua trompa e as coisas se refizerem, cada uma à própria imagem e talvez semelhança.

É incrível como eu escrevo asneiras quando estou com sono...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

3h47. Em vez de ir dormir, estou criando personagens pra uma historiazinha steampunk. Desse jeito minha saúde vai pra merda, viu...

Mas e daí? E estou ouvindo Cueio Limão pra ficar acordado.


Uma canção de amor que tem versos como "Quem é o mestre?/O mestre é o Leroy" e "Só uma coisa me consola/O Paul Simon na vitrola" merece ser ouvida!

sábado, 7 de novembro de 2009

Morte Abreviada

Encontrei este texto numa folha de papel dobrada dentro de um volume antigo das Vidas Paralelas, o que compara Alexandre e Julio César. Não consegui encontrar uma relação direta entre o conteúdo do texto e o livro em que ele estava guardado, ou esquecido. A ideia de alguém que não morreu e que comenta isso, mesmo de um modo fragmentado, soa como um curioso absurdo. Acredito que seja apenas ficção.

Eu deveria estar morto. Por algum motivo que não sei explicar, estou aqui, ouvindo blues num aparelho que só tem um fone funcionando, andando por esta avenida mal iluminada.

O bando de gente que volta para casa depois de um show ruim e lota o metrô com conversas inúteis já não me interessa mais, como muita coisa nesta vida. Já não bebo nem converso; limito-me a balançar a cabeça ao falarem comigo, num gesto que mistura neutralidade, deboche e falso interesse pelo que me é dito. O tempo, que parece ser sábio, nos ensina esses maneirismos.

Toda explicação que dei não tem razão de ser. Eu fiz o caminho de boca fechada e sem movimentos de cabeça. Ainda assim, me irritava com a falação desnecessária e aquele fone que só funcionava de um lado.

Mas e daí? Eu deveria estar morto.

O caso nem é esse~~


O texto subitamente para nesse ponto, como se quem o escreveu tivesse se levantado para fazer algo urgente, já que a última palavra acaba num traço displicente, possível apenas se, ao escrever, a caneta fosse abandonada, jogada na mesa em que o papel estava pousado.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Autoentendimento. Isso não é nada fácil de alcançar. Muitos dos erros imputados a outros têm sua causa no imputador. Por isso, prefiro os que parecem sorumbáticos, mas que se conhecem, aos alegrinhos que culpam outros pela própria mediocridade.

Depois de muito tempo, tremi de raiva e quase dei um soco na cara de alguém.

Coisas com cara I


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Mais um.

Ainda hoje eu lembro daquela moça pequena entrando na minha vida: no começo, pela órbita; depois, tangenciando. Agora, ela está no centro do meu mundo. A primeira vez que vi aqueles olhos irrequietos está para sempre gravada, bem como nosso primeiro beijo, primeiro filme, primeira noite, primeiro tudo. A memória pode muito, mas o futuro espera lá na linha do horizonte, pacientemente. Caminharemos a seu encontro de mãos dadas, você e eu, ambos guiando e sendo guiados.

Que passem dias, anos, gerações. Que narrem e cantem nossa história quando já estivermos quase esquecidos pelo mundo e pelos nossos e digam, com toda convicção, que aquele amor brotou da pedra molhada pela chuva e foi arado por mãos macias e brancas como a nuvem.

Será a história de uma garota e de um rapaz que se encontraram, com amor nas pontas dos dedos e das unhas, sorvendo o passado e mirando o porvir.






Que haja muitas e muitas chances de te dar parabéns e comemorar muitas outras coisas contigo. Sei que este ano está sendo muito importante para você e quero que ainda tenha boas surpresas (e frutos de seu merecimento) antes de ele chegar ao fim.

Meu amor, feliz aniversário.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

De muitos, o primeiro

Esta é outra porta que atravesso, e para a qual agora olho, divisando seus batentes foscos.

28 anos. Pouco aprendizado, algumas certezas e muita curiosidade. Depois de tanta zanga, alegria e outras coisas, percebo outra vez um pouco mais do mundo, agora segurando uma pequena mão branca como o leite.

Esse foi o ano em que ganhei o melhor dos presentes. Não importa idade, não importa nada. Só o que sinto e que ruge carinhosamente aqui dentro. Dito isso, tudo mais se cala.

sábado, 29 de agosto de 2009

Pra uma prima que vai casar

Epigraminha matrimonial

Que é um casal, se não
soma de unidades?

A vida, fugidia, passa ao largo
- agarrai-a a quatro mãos!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Eu juro que queria estar formado. Mas queria mesmo. Mas não estou, porque há uma burocracia imbecil que me impede de cursar as disciplinas finais. Vai entender, né?

Enquanto isso, a paciência vai se esgotando...

sábado, 18 de julho de 2009

INFP

Idealist Portrait of the Healer (INFP)

Healers present a calm and serene face to the world, and can seem shy, even distant around others. But inside they're anything but serene, having a capacity for personal caring rarely found in the other types. Healers care deeply about the inner life of a few special persons, or about a favorite cause in the world at large. And their great passion is to heal the conflicts that trouble individuals, or that divide groups, and thus to bring wholeness, or health, to themselves, their loved ones, and their community.


Healers have a profound sense of idealism that comes from a strong personal sense of right and wrong. They conceive of the world as an ethical, honorable place, full of wondrous possibilities and potential goods. In fact, to understand Healers, we must understand that their deep commitment to the positive and the good is almost boundless and selfless, inspiring them to make extraordinary sacrifices for someone or something they believe in. Set off from the rest of humanity by their privacy and scarcity (around one percent of the population), Healers can feel even more isolated in the purity of their idealism.


At work, Healers are adaptable, welcome new ideas and new information, are patient with complicated situations, but impatient with routine details. Healers are keenly aware of people and their feelings, and relate well with most others. Because of their deep-seated reserve, however, they can work quite happily alone. When making decisions, Healers follow their heart not their head, which means they can make errors of fact, but seldom of feeling. They have a natural interest in scholarly activities and demonstrate, like the other Idealists, a remarkable facility with language. They have a gift for interpreting stories, as well as for creating them, and thus often write in lyric, poetic fashion. Frequently they hear a call to go forth into the world and help others, a call they seem ready to answer, even if they must sacrifice their own comfort.


sábado, 11 de julho de 2009

Novo Reino

Lembrei das asas que estavam a brotar há alguns meses. Elas são enormes, mas, curioso: nada pesam!

Elas não servem apenas para voar: aprendi usos novos e secretos. Posso impedir que os olhos do mundo se deitem sobre nós, basta cobrir-nos com as asas, envolver-nos e assim criar momentos só nossos, mesmo no meio do tumulto.

Demorou, mas agora vejo como são vistosas e brilhantes estas penas todas. Posso pegar a mão da moça alada e acompanhá-la até o horizonte (linha sem fim).

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Poema meu e dela

Os olhos tolos não evitam o contato:
São pegos num ínfimo relance.
Mas o que vem do outro lado não é multa
Ou pena a ser paga, mas um brilho fugidio
Que se abre na duração do instante
E que se grava na eternidade da memória.
Cumplicidade, contato que se firma.

(A paga de um gostar é outro gostar.)

Notas de imersão

Na eternidade de um minuto
Absolvo-me do fato
De não ter errado
O tanto necessário.
De não ter aprendido pela experiência
O que manuais circunspectos não dizem
E o comportamento ensimesmado
Categoriza como alheio a si mesmo.

Buracos negros, serpentes, hipogrifos,
Chaves secretas, portas com bocas insensatas.
A tudo isso eu sigo debruçado.
Já o mundo cru e pertinente
Segue, e eu à margem dele em parte
Também sigo, reaprendendo
E me mudando, nunca indiferente ao fato
De que errar é nao só verbo do inacerto
Mas também do andar em terra estranha
A caminho do proveito.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Já tem um tempo que ando abraçado num sorriso, deixando o sono vagar silencioso enquanto durmo. O Sol, quando não barrado pela janela de metal, se avoluma sobre minha cama e me desperta, avisando que depois chegará a Lua e que os dias passarão.

É com o Sol vitrificado nas retinas que levanto todo dia, com pensamentos cheios de asas que pulsam, como uma espécie de coração secreto.

De uns meses para cá, voltei a lembrar dos sonhos.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Rain of shooting stars

The time has come
And then you shone on me
The shimmering water
Came to the surface
We can feel it
Smell it and see it
A new dimension is rising
From us, from each other
So, make a wish.
Because today is raining
A rain of shooting stars.

sábado, 6 de junho de 2009

Haja saco.

Por que poetas têm de ser tão chatos? Querem explicar sua obra mesmo quando ninguém está interessado nela, entregam ou prometem entregar poemas ruins e/ou pretensiosos a quem não gostaria de cruzar com esse tipo de maluco ensimesmado e geralmente se acham "malditos" – há de se reparar na gritante diferença entre "poeta maldito" e "maldito poeta"!

Por isso não aceito que me chamem de poeta. Posso até fazer poemas, mas não sou – graças a deus – poeta. Se eu soubesse fazer banquinhos ou pintar usando aquarela, não seria marceneiro nem pintor, seria?

A tempo: Escrevi este texto ontem de madrugada. E não é que trombei com alguns desses morféticos numa das andanças pela cidade? Mas que dureza...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Olhos de espera

Enquanto descia as escadas do metrô, uma expressão veio à mente: olhos de espera.

De quem, meus, do mundo? Não sei dizer. o que posso afirmar é meu costume de olhar objetos, portas, paredes, bancos de metrô, procurando ângulos diferentes, ou detalhes que normalmente outras pessoas não veem, na correria de formigas a que nós paulistanos estamos entregues.

Olhos de espera... Talvez eu os tenha mesmo, esperando que pequenas formas me digam algo sobre união ou conjunto. Respostas eu não espero e ao fim acho que observo as coisas apenas por observar, por costume bobo. Apesar desse juízo até certo ponto negativo, isso é algo que me diverte. Sempre há alguma fenda a ser perscrutada, um jogo de luz dançando num vitrô de alguma casa que visito, uma penumbra brincando em algum muro por aí.

Tenho minha visão particular das coisas, por vezes alienada e voltada para uma interioridade que, apesar de não me trazer problemas, condiciona meu modo de agir e de compreender (ou tentar compreender) aqueles à minha volta. Isso não me atrapalha muito ou impede-me de ter atitudes práticas. Como já disse, é apenas uma particularidade.

Enfim, uma pergunta: Olhos de espera, mas de quem ou do quê?

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Atravessei algumas madrugadas, mas não de bicicleta. De skate no pé, tentando fazer aquela magia plástica que sempre volta à cabeça.

Sim, eu sou um idealista. E romântico. E, ainda mais, um observador. Não dos bons, mas sou. E às vezes me esforço pra manter os pés do chão e não sair carregado pelo vento, olhando pra baixo.

Uma das canções da minha adolescência, When I get old, dos Descendents. Não tem essa de velho, de novo, de nada. A vida sempre se abre e fecha em seus momentos e eu me sinto sempre diferente, mas carregando a mesma essência de quando eu mandava um frontside noseslide e saía todo feliz.

E eu adoro dormir no chão.




what will it be like when I get old
will I still hop on my bike, and ride around town
will I still want to be someone, and not just sit around
I don't want to be like other adults
cause they've already died
cool and condescending, fossilized
will I be rich will I be poor, will I still sleep on the floor
what will it be like when I get
what will I be like when I get
what will it be like when I get old
will I still kiss my girlfriend and try to grab her ass
will I still hate the cops and have no class
will all my grown up friends say they've seen it all before
they say hey act your age and I'm immature
will I do myself proud or only what's allowed
what will it be like when I get
what will I be like when I get
what will it be like when I get old
will I sit around and talk about the old days
sit around and watch t.v. I never want to go that way
never burn out not fade away
as I travel through my time will I like what I find
what will it be like when I get
what will I be like when I get
what will it be like when I get old

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Nuvem

na rua, já fui vento solto no espaço
desmemoriei minhas mãos, perdi meu tato
transformei chuva - meu choro - em verde
verde-água, verde-bem-verde, verde-escuro
voei aqui e ali, pela noite densa
e pela manhã pingada de sol e orvalho
tive forma, pouca coisa
e muita coisa, pois informe

inconstância no porvir é o que carrego
e como sou depende mais de seu olhar
que de meu me-fazer, ao léu celeste

e me fui.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Na minha frente: uma barra de chocolate. Da cozinha vem o cheiro de bolo e de café novo. Ouço música e lá fora cai uma garoa fina no asfalto.

E tenho boas companhias! Tem como não estar tudo bem? =)

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Bate e volta

Tem vezes que o sorriso brota no rosto sem esforço. Basta ver ou ler algo e ele surge de repente, sem aviso.

É bom quando isso acontece, não?
Pois aconteceu hoje comigo.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Tenho projetos secretos que não conto pra ninguém.

Um deles é encher este pátio com sorrisos, conversas e cervejas, carregar boa parte do peso que está nas costas daqueles que amo e trazer pra cá, criando um monumento com toda essa matéria difusa e mostrando que é possível um entendimento entre as pessoas.

Não é fácil fazer isso e o projeto é um pouco tolo. A agressividade é necessária nessa vida, mas o amor também. Amor pode ser o que eu sinto por uma pessoa que ilumina meu dia, pode ser a conversa animada pela tela do computador com um amigo ou a troca de piadinhas sem-graça tomando algo e sentado numa cadeira de plástico; o que muda é o grau.

Isso que eu digo é besta e parece sem sentido? É, é sim. Mas é um projeto que não conto pra ninguém.

sábado, 18 de abril de 2009

Crônica de um pequeno desperdício

As luzes noturnas queimariam minha rotina, se pudesse vê-las agora. Andaria pela calçada suja de algum lugar com meus amigos, mas eles estão ocupados esperando alguma coisa acontecer. Do meu lado o marasmo está sentado, junto a um instrumento musical que sorri e pede por um carinho que ainda está sendo aprimorado.


Eu espero.


Isso sei fazer bem: sento e espero, observo o movimento taciturno das estrelas, os pernilongos cruzando o ar do quarto, tento achar alguma ordem aleatória nos livros de minha estante, procuro por ângulos secretos. Nada de mais ou de menos, nada de incrível, apenas as horas passando.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Roteiro n.º 0

Tanto peso sobre ombros fatigados.
Para todo lado ferro fundido,
fumaça e concreto fortemente armado.
O tom da estação é amarelado,
meio ressequido, cor de dente.

Lá no fundo da manhã
ainda há luz positiva, sem
o calor mundano do asfalto mole
que mistura chão e ar no horizonte.
A luz está distante, mas inatingível
pelo olhar, pela vontade
de não derreter nesta cidade,
nesta rua, neste mundo.

Essa compleição cadavérica pode,
sim, ser evitada. Busquemos
talvez o caminho negativo
e poucas vezes feito?
O dos eremitas das multidões?
Desviemos das facas lançadas e
das investidas cinzas daqueles
que querem nos derrubar ao chão.
Larguemos tudo enquanto é tempo?

Não.

Isolar-se não perfaz solução.
É antes camada dupla de véu sobre o problema.
O mundo não se abre muitas vezes, e
cabe a nós acharmos a saída
que elimine a poeira cáustica do concreto.
Se nossos olhos permanecem irritados
busquemos algo que alivie tudo isso.
E busquemos sem cessar,
pois talvez seja pela procura
que se possa encontrar
aquilo que chamamos de caminho.

terça-feira, 24 de março de 2009

Nenúfar




Nenúfar é uma flor com gosto de simetria. E ela nasce na água. Delicada, se mantém numa superfície de inconstância e equilíbrio.

É uma das coisas mais belas deste mundo.















Veja as fotografias originais aqui, aqui e aqui.

Palavras escritas nas pontas dos dedos (tudo vai bem, muito obrigado)

Um rosto grudado no meu peito, por fora, por dentro. Gravado de um modo que às vezes dói.

Existem palavras, frases, que não escapam facilmente aos muros invisíveis. Palavras esperadas, de entrega e que só podem ser compostas de verdade pura, mesmo que transitória.

Saindo desse muro o caminho se prolonga e, mesmo de mãos dadas (necessárias), o horizonte se desfaz na paisagem.



Aqui dentro não há confusão alguma. Apenas espera. Uma luta e uma certeza.

sexta-feira, 20 de março de 2009

É curioso como a alegria de outras pessoas pode nos contagiar. Ainda mais quando essa alegria vem de algo conquistado depois de tempos de apreensão, tempos esses dos quais também participei, embora de modo mais ameno.

quarta-feira, 18 de março de 2009

'in a town that's cold and grey we will have a sunny day'

Hindered by a hole
inside her chest
behind her mind.
But I saw the lights of the night
flowing through the sky.

Giving time, time passing by -
the word "forever" means nothing.
With my soft fingers I shall reach
that darkened world inside you.
With my sunny eyes I shall breach
that cloudy wall, raised by a fool.

Time will lead us
forging our souls
and giving to us
a brave and bright new world.



escrito por A.N.P.N.F.C.G.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Duas mãos juntas, um olhar e um sorriso encoberto. Esse é o resumo de uma bela manhã.

sábado, 7 de março de 2009

Just a man


Sky is clear tonight
Sky is clear tomorrow
A star is out
I reach for one to sparkle in my hand
A star is out
I will not touch you, I am just a man
Sky is clear tonight
Sky is clear tomorrow
And every night I shut my eyes
So I don't have to see the light
Shining so bright
I'll dream about a cloudy sky,
A cloudy sky
I'll dream about a cloudy sky, a cloudy
Man was born to love-
Though often he has sought
Like Icarus, to fly too high-
And far too lonely than he ought
To kiss the sun of east and west
And hold the world at his behest-
To hold the terrible power
To whom only gods are blessed-
But me, I am just a man
And every night I shut my eyes
So I don't have to see the light
Shining so bright
I'll dream about a cloudy sky, a cloudy sky
And every night I shut my eyes
But now I've got them open wide
You've fallen into my hands
And now you're burning me
You're burning me


quarta-feira, 4 de março de 2009

domingo, 1 de março de 2009

1º de março II

Eu converso ao telefone, vejo fotos, faço planos, me encanto, vejo pegadas, traço o passado, vejo mais fotos e converso.

Tomo um suco, como um pêssego, tomo um iogurte e depois um copo d'água, e digito sem parar para pensar. Não quero que haja alguma marca de lima neste texto; quero-o puro e bruto, escorrido da ponta dos meus dedos e de dentro do meu peito.

Se ligo, se me preocupo, se penso a todo momento, o motivo é um só, é uma certeza que não se desvanece com o vento. Se minhas mãos ainda hoje tremem, motivos não me faltam, e não é de medo que estou falando. O que falo e penso é positivo. O brilho oblíquo que emana de meus olhos não é faca que machuca; é antes seda que se enrola em seu pescoço e lhe afaga, impededindo a luz do Sol de te queimar.

Eu converso ao telefone, vejo mais fotos, refaço planos, me encanto, prevejo pegadas, traço o futuro, vejo mais fotos e converso. E tudo isso no turbilhão de duas horas.

1º de março

Por vezes os domingos me consomem. Após desligar a tela absorvente do computador, desligar também a música e sentir toda a força da moleza quente daquela tarde inerte, percebi, ou antes, caí: uma sensação de inutilidade.

Almoço na mesa. Hora de parar de escrever e ocupar ao menos o estômago.
Finalmente consegui colocar o arquivo mp3 do epigrama de Seikilos no ar. Deem uma conferida clicando aqui.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Acabei de chegar do casamento de um amigo. Não fui à festa, era longe e eu estava sem paciência.

Meus olhos doem por não ter usado os óculos, mas um sorriso bobo e grande persiste, estampado em minha face há mais de um dia.

No mais, sigamos adiante e vejamos aonde vamos chegar.


A palavra de hoje é: esperança.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Frente a frente (?) – [eu e o outro]

A frase que acabou de aparecer na minha cabeça parece coisa de autoajuda, mas não é: "a confiança constrói-se pedrinha por pedrinha." Destrinchando: conversar, mas não no sentido dialógico – isto é, da troca sistemática de argumentos e estruturas pré-concebidas, a “casca” de conversa –, é mostrar um bom pedaço de como você é. Quanto mais você se mostra, maior é a possibilidade de quem está lhe ouvindo entender o que se passa em sua interioridade (o contrário também ocorre, mas tudo bem, temos provas mais do que suficientes de que o mundo não é feito de entendimento).

Esse momento de exposição é algo que parece fácil de ser alcançado, mas não é: afinal, por que tirar a máscara que nos dá uma proteção aparente de nossa interioridade, por que desafivelar a persona tão bem presa à face? E como fazer isso? Bem, sei pouco sobre isso, mas a confiança no outro é fundamental. E a confiança aumenta a cada confidência, a cada olhar ou gesto trocado entre pessoas que tiraram suas máscaras, ou que, pelo menos, usaram outras que não cobrem suas faces por completo.

Mas o que seria de nós sem a defesa do sorriso cínico ou a ironia ácida que nos faz rir por dentro? Decerto já não haveria muita gente por aqui, ou então viveríamos todos num raio de quilômetros um do outro.

Então, qual seria o dilema afinal de contas? Seria para quem tirar a máscara. Mas dar conta desse tipo de explicação já foge do que acho que sei. As descobertas estão aí para serem feitas, não explicadas; como já disse, isso aqui não é autoajuda, certo?

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Carta para não ser entregue

Querida,

cada vez que leio algum de seus textos antigos, percebo que as coisas não são como eu gostaria. Meu lado egoísta não permite que entenda que não sou o único na sua vida, o primeiro sobre o qual seus olhos pousaram. Minha sorte? Esse lado egoísta é pequeno, como qualquer coisa pequena e mesquinha desta vida.

Quando sinto teus braços, o cheiro do seu ombro impregnado em minha boca, tudo se torna diferente, e aquelas dúvidas geradas pela confluência do passado com o nosso presente se dissipam. Basta um sopro e não há mais nuvens cinzas, ligações ou lembranças inoportunas.

Há apenas uma estação de trem num dia de chuva límpida.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Face a face

Puxa, eu havia esquecido de uma banda que marcou minha adolescência, Face to Face. Conheci-a no finado programa Skabadabadoo, na Brasil 2000 (que agora tem o nome sem-graça FM 107.3). Clássicos do hardcore do anos '90 como Blind e Ordinary mostram como é possível criar músicas com sentimento e 'punch'. Lembro quando eu atormentava meus amigos em meu primeiro emprego cantando Ordinary o dia inteiro. Bom, eu cantava tudo errado, mas cantava empolgado.




what if I'm right and you are wrong?
what if you knew it all along?
what if I figured out that I did not belong?
what if it always bothered me?
what if I never did believe?
would it be wrong if I decided I should leave?
if I pretended I was blind
and struck it from my mind
would it still be there?
what if I'd do anything to make it seem all right
it's all right
what if it's all inside my head?
what if those words were never said?
would it be easier if I could just forget?
what if I didn't run away?
could it be any other way?
would it be wrong if I decided I should stay?

Leitmotiv

Mais uma pena cresceu hoje em minhas costas. A cada dia a metamorfose dá um passo curto, do comprimento de uma descoberta. E isso é bom e quente, coça um pouco e torna cada dia diferente do anterior, já que cada pena tem sua própria composição.

E assim a vida segue com seus códigos.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

The secret breeze

Those shiny crystal eyes
they magnify my life
Like a daydreamer in love
I started to see you above
Do you feel the gentle breeze
flowing through that cave?
How can you shake my ground
making inside me fuzzy waves?

Those shiny, crystal eyes of yours
give me light, give me hope
all that things that we wrote
We had few nights, but it's ok
the way we are no one can be;
'cause (although short)
a secret is a secret when is not.







____________________
Um obrigado ao amigo Daniel, por uma observação importante.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Pra dar uma aliviada, saboreiem o crássico Homem-Coxinha e o terrível cão-azeitona!


No estilo dela

Você se acha muito esperto, não? Fica aí, com sua cara de bonzinho, sua voz macia e suas atitudes gentis enredando todo mundo, enganando talvez até a si mesmo, e esperando que os outros te aplaudam e você possa fingir que não os ouve.

Bem me recordo de que houve um tempo em que você tinha um coração mais puro, menos malícia e mais amor, lembra-se? Onde você meteu tudo aquilo, cara? Aquele jeito honesto de ser?

Ouço muita maledicência saindo dessa boca que era sagrada, muita picuinha e palavras sem porquês. E daí que você cumpre suas obrigações em casa, e daí que entrega seus trabalhos no prazo e ainda é tido como "legal" por todos? Por dentro você é um poço de podridão, acomodado nessa lama quente por tantos anos.

Mas o que agora vejo é estranho: um par de asas brotando desse caos. Você acha mesmo que pode se libertar tão facilmente desse poço que criou, não acha? Pois saiba que isso é o que mais quero, mas pense bem e use essas asas, não aquelas falsas feitas de cera ali deitadas. Aproveite o que lhe resta de belo e alcance esse nível que está se abrindo misteriosamente, acredite no poder dessa deusa aleatória e feita de fogo e nuvem que colocou essas asas nas suas costas e busque, a todo custo, o que está por vir.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

09/02/09


Estou a poucos metros. Talvez nada possa me parar agora, exceto meu micromundo. Hoje é dia de simetria, em que os hemisférios se olham sem se tocar, sem que haja contato físico entre planetas. Mas mundos começam a se entrelaçar. É perigoso. Pode ser entropizante. Mas é energia, é vibração emanada de momentos.

"I started a fire and watched it grow
and now it burns out of control"


A banda se chama Ash. O nome é sugestivo, pela ideia de renascimento que carrega. Pela palavra-chave que perpassa minha cabeça: mudanças.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Subterfúgios para a arte do voo


Pulei barrancos, passei por frestas impensáveis, quebrei cadeados, rasguei alambrados. Antes, ainda, escalei muros, desviei de motos sem disciplina e automóveis desalmados.


Corri, corri muito. Ainda distante da arte de voar, descansei sobre a sombra de um chorão, último dos seus naquele bairro empoeirado que eu atravessava. Aquela árvore frondosa trouxe-me lembranças difusas da infância, quando eu amarrava um pano no pescoço e revoava o mundo plano de meu velho quintal, que não é mais.

Por ter desaprendido até mesmo a deixar o vento me levar, corro. Prefiro correr a jazer morbidamente dentro de um carro.

Espero chegar logo a meu destino.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Epigrama de Seikilos

Antes de tudo, peço desculpas pela transcrição do grego. O programa que utilizei não me permite aplicar todos os acentos necessários, então o negócio acabou ficando meio cambaio.

O epigrama de Seikilos é considerado o primeiro registro de instruções musicais do mundo ocidental, algo como uma mini-partitura. A parte dos versos é um epigrama e, com o estilo sintético característico a esse gênero, trata da brevidade da vida e da necessidade de fazermos o possível para vivermos de forma alegre, tendo em vista que não duraremos muito tempo neste mundão.

Seikilos, aparentemente, é o nome do artista que criou o monumento onde o epigrama e a "partitura" estavam entalhados. Era costume grego que alguns artistas entalhassem frases em suas obras, como "Aristarco me criou"; é como se às obras tivesse sido dada voz, para que quem as visse soubesse qual a origem delas.


ΣΕΙΚΙΛΟΥ

όσον ζής φαίνου
μήδεν όλος συ λιπού
πρός ολίγον εστί τόν ζήν
τό τέλος ό χρόνος απαίτει

FEITO POR SEIKILOS

Enquanto vives, brilha!
Acima de tudo não sofras
curta é a vida
o termo o tempo cobra.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

MUSE

Muse é A banda pra mim. No final do ano passado, perdi os poucos giga de música que tinha aqui quando minha antiga HD deu pau. O curioso é que eu havia feito backup das músicas de meu irmão, mas quando fui fazer das minhas...babau. Depois de tanto tempo sem ouvir essa banda e também sem postar aqui, a empolgação de ouvi-la novamente me fez dividi-la com os seres randômicos que por ventura caírem aqui. Ouve aí e depois me conta, tudo bem?


New Born



Muscle Museum

Avulsos II

Estou ouvindo um som muito legal enquanto escrevo. Já paguei o aluguel e o IPTU deste apartamento; ainda falta a mesa, o sofá e as promessas de fim de ano (sem hífen, sem hífen!).

Evidentemente estou acordado agora – oh! – e continuo da mesma maneira que estava há um mês, dormindo pouco e consequentemente (sem trema, sem trema, aaaaaargh!) babando em cima do serviço. Mas isso não quer dizer que as provas saem babadas. Eu espero elas secarem, e ainda faço meu serviço de maneira benfeita.

A dica de hoje é: procrastine sempre que possível e faça bom uso de sua insônia. (Esta última frase nada tem a ver com o resto do post.)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Ergo-me, logo sumo

Corra, esteja atrasado. Entre numa lanchonete e peça um lanche que você não conhece. Coma apenas metade, porque o pouco de gosto que o sanduíche tem é ruim.

Aproveite e olhe para o fundo da embalagem: dados nutricionais. Confira a quantidade de sódio (em valor relativo ao máximo permitido/aceitável por dia) existente naquele inocente pão com um tardiamente descoberto naco de bacon e, enfim, levante-se e jogue seu lanche fora.

Um McNífico hoje, a osteoporose amanhã.

domingo, 7 de dezembro de 2008

aconteceu mais uma vez (poema prosaico)

Eu tinha um poema lindo para escrever.
Infelizmente não havia canetas
e o único papel que carregava
era uma edição dos poemas de Borges.
As idéias brotavam e, embora conciso,
seria um bom poema
com cara de epigrama
mas dizendo tudo.
Seria minha epopéia final
toda minha vida sem desmedidas
contada num átimo, numa espanada de lápis
Mas eu não carregava um lápis, mas
apenas idéias soltas e ligadas por fios de intenção.

Minha epopéia acabou na minha memória,
que a sepultou de vez. É melhor assim,
a obra não feita ou incompleta
é aquela que sempre traz lembranças
as melhores que poderiam existir:
lembranças do porvir.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Poema

Rumo nulo   

As turmalinas foram embora 
travestidas de riqueza em transe. 
Foste ver também? Ainda há muito 
ouro de tolo em substância pura 
carnes inconclusas da terra em suspensão
depuradas em sangue alheio. 
Fazem eco sob muitos mantos. 
Podes ouvir? Talvez, mas ver já não podes. 
Nosso estado é de cavalo domado: 
Podemos correr, trotar, voar se assim quisermos 
Mas ver já não podemos, sequer olhar 
a não ser o que está à nossa frente ínfima. 
Já não temos mãos 
Que tirem a bitola apertada 
E esquecemos de derrubar quem nos açoita. 
És homem, mas agora não basta acordar e renascer e criar 
Qual a tua imagem e semelhança.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Alumbramento de revisor

crédito: arquivo da Família Monteiro Lobato
clique na imagem para ampliá-la


Aí está: uma página de Narizinho arrebitado com marcas de revisão de Monteiro Lobato.
É sempre empolgante deparar-se com pequenos achados na internet (mesmo que esse seja um achado só pra mim e meia dúzia de pessoas...).

domingo, 14 de setembro de 2008

poema

Sem título nº1

A vida purgada de ficção.
Ser alguém que se conhece,
ou não ser ou ter questão.

A vida purgada, desficcionada.
Aplicada em todas as suas regras
matemáticas eliminadas de linotipos.
Eletronicamente solitária.

Ego sum res.

sábado, 13 de setembro de 2008

Marcha Turca

Marcha Turca, composição de W. A. Mozart.
Transcrita para o violão e executada por William Kanengiser.



terça-feira, 19 de agosto de 2008

Minhas aventuras de Tibicuera

Uma das melhores coisas que podem acontecer a quem é apaixonado por livros é justamente reencontrar uma paixão da infância. Qual não foi minha alegria ao ver sujinho e baratinho num sebo bagunçado perto de casa um desses amores tão importantes e tão profundos?


Era um livrinho miúdo de capa laranja que narra a história fantástica de um pequeno índio ao longo de quatrocentos anos (sim, quatrocentos). O livro é As aventuras de Tibicuera e o autor, Erico Verissimo (1905-1975).



O adulto e civilizado doutor Tibicuera é morador de uma Copacabana que vivencia os fortes espasmos modernistas dos anos '30, e é nesse ambiente que nos conta de forma romântica sua história, de seu nascimento em uma aldeia tupinambá até sua vida de cidadão num país republicano que descende dos navegadores europeus que há tanto tempo invadiram esta terra. O livro, com todo o poder da escrita de Erico voltado às crianças e aos jovens da década de quarenta em diante, anda esquecido. Eu mesmo não me lembrava dele e se não fosse o encontro fortuito no sebo continuaria sem lembrar, tendo apenas uma recordação difusa desse que, curiosamente, ia e vinha pela minha cabeça de tempos em tempos. Curioso, não?


O escritor de Saga não se furtou de inserir em sua narrativa infantojuvenil guerra, amor, morte, nostalgia e crenças diversas, entre outros temas. As aventuras de Tibicuera são as aventuras de nossa terra e compõem um romance de formação de nosso país que se estende ao longo de quatro séculos, formando um pequeno “livro de tudo”. Tomar Tibicuera como metonímia de Brasil não é exagero e essa é uma das chaves dessa grande obra.


A escrita é envolvente e trata a criança como alguém que deve se divertir e se esforçar na busca pelo entendimento do que está lendo. Na página que faz as vezes de prefácio, Erico Verissimo diz:

Eu podia encher este livro com notas explicativas de certas palavras. Prefiro, entretanto, que vocês recorram ao dicionário, habituando-se a consultá-lo em casos de dúvida ou desconhecimento. É um bom exercício não só de paciência como também de honestidade intelectual. E, no fim de contas, sempre gravamos melhor na memória o significado das palavras que nos levaram a folhear dicionários.

Isso é tratar a criança e o jovem como eles são, seres de potencialidades. O salto entre essa abordagem e a atual, que toma jovens e crianças como imbecis, é pungente – abram qualquer livro didático composto nos últimos dez anos e leiam qualquer poema que por ventura exista nele: possivelmente encontrarão um emaranhado qualquer de frases justapostas que subestimam os mais jovens. E ganha-se dinheiro, bom dinheiro, escrevendo bobagens que serão compradas por editoras ditas infantis e publicadas juntas a ilustrações de gosto duvidoso.



Falando em ilustrações, a de capa é de Clara Pechansky (1936-) e as de miolo de Ernest Zeuner (1895-1967), feitas numa época de excelência mágica para a arte de compor livros.

sábado, 2 de agosto de 2008

Um novo semestre começando e mais um serviço pintando. Tudo novo de novo, ao que parece!

terça-feira, 22 de julho de 2008

No post logo atrás eu comentei que o buraco era mais embaixo. E era mesmo! Tão embaixo que meu pagamento está lá no fundo. Mas ele está subindo, lenta e monotonamente, só para usar uma palavra transformada em alegoria de lonjura pelo grande Bandeira.

Ah, sim! A cada dia sinto que meus amigos valem mais a pena e que eu também valho. E esse é um de meus bons motivos para sorrir.



A tempo: aqui você pode ler um pouco de Manuel Bandeira.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Mais um dia

Hoje fiz duas provas, em dupla. Entreguei uma delas sem acabar de passar a limpo, a outra psicografei uns trinta por cento e agora estou escrevendo pra ver se esqueço que só vou me formar em 2009.

Fora isso, tenho um poema que não consigo acabar e a incerteza de por quanto tempo terei serviço. Pra um mês está garantido; pra mais, quem sabe?

Já basta de lamúrias, não? Vamos fechar este post e começar o próximo com um sorriso, não um muxoxo.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Pois é.

Segunda-feira comecei a trabalhar como revisor freelancer numa grande editora. Iniciei o serviço com grandes esperanças (oh!), mas já tô vendo que o buraco é mais embaixo. Mais embaixo porque quando cair doerá mais.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Millencolin – Penguins & Polarbears




Taí uma banda que realmente me acompanha (seria o contrário, eu sei; mas aí não teria tanta graça escrever isto). Lozin' Must é uma de minhas músicas preferidas, mas este clipe é o melhor deles.

Espero poder vê-los ao vivo um dia. :/

terça-feira, 4 de março de 2008

Cidade, labirinto desbotado
Se aqui me fio e não me calo
é porque tento dizer a todo custo
com fumaça grudada na garganta
que não te quero mais.

Fruto do teu engenho torto
me criei – em ledo engano –
fantástico, inigualável e faminto
um jardim de alfazemas
em carne de concreto
sangue em chamas mortas.

Foi-se todo meu viço
Sou engrenagem e aqui repito
todo o todo o meu pesar
que não mais sinto
sou engrenagem e aqui repito
sempre

sempre

sempre





------


Mais um poeminha inacabado. Já de dois anos pra cá só consigo escrever sobre um certo efeito de angústia que me dá em alguns momentos por conta dessa vida corrida. Até que é legal quando desembesto a escrever, mas eu imagino como deve ser viver num estado mórbido sempre e sempre...

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Novamente venho pensando sobre pequenas mudanças no meu modo de ver as coisas. Quero voltar a dar aulas, mas neste ano será impossível. Muitas coisinhas pra acertar, mais uma estação pra finalizar e trilhos para colocar. Espero que meu trem parta logo!

domingo, 13 de janeiro de 2008

Brincadeira soberana


As pipas costuram as nuvens, colchas de retalhos fugidios. Na luta pela hegemonia no céu cerúleo contam-se as baixas: um xis verde e rosa acabara de tombar, um outro cruz caiu em mãos inimigas e o pobre roxinho estatelou-se num emaranhado de cabos negros e tênis velhos amarrados, elementos do chão impuro.

A capucheta mantinha-se em níveis mais humildes, soldado de baixo escalão. O maranhão vermelho e negro reinava supremo desde o começo da tarde, após ter derrubado do poder a arraia azul e cinza, com apoio de um peixinho qualquer e uma pipa de sacola de supermercado, vil, porém de muita ajuda.

Daí a conclusão: a soberania no céu das pipas é democrática, pois cada dia tem seu rei.

domingo, 18 de novembro de 2007


Muita gente conhece mais Noel Rosa pela imagem do que pela música. Especialmente pela sua autocaricatura, a mesma que ilustra este post. Estou entre esses, mas aos poucos descobrindo o mundo maravilhoso do samba dessa figura.

Vi Noel, Poeta da Vila nesse sábado e saí feliz da sala de cinema, com um sorrisão. Fico mais feliz ainda porque 2007 está sendo um ano de descobertas musicais para mim, e muita coisa de samba antigo, de música brasileira de qualidade feita só com nossos parâmetros, surgiu pra mim e foi ouvida com muita paixão. E devo isso à boa vontade de quem posta esses bons álbuns na internet.

Obrigado Noel! Obrigado a quem mantém nossa cultura viva, acesa e irradiando!

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Poema do poema

Alva soa calada
Ave, alada ave, asa
cantada em seu próprio silêncio
Pela sua cor azul,
pelo seu olhar anil.

Brilha, ave, com suas penas alvicerúleas
na cabeça-nimbus.
Brilhave, altissonante luz emanada
em pena, em chaga.

Enquanto empunho o escudo de Sarpédon
e toco a flauta marsiástica, signo do segundo.

Voa, palavra,
desde os confins até o fim.
Voa.

Aí está um poema que comecei a escrever e que ainda não consegui acabar. Colocando-o aqui, posso sempre vir ao blog e ser questionado: "Vai me completar ou não?". Bom, coisas de um homem com memória ruim.

Falta muito. Vou tentar fazer um poema médio e espero que ninguém leia este post, hehehe.


Aquela janela, velha, entreaberta
Me
chama pra olhar, te ver
Mas
, olha, cadê a porta que eu deixei aqui?
Volta
, eu volto, volta, volta agora
Mas
cadê? Cadê a porta e você?


Se eu
for por todos, quem será por ti?
Se eu
for por mim, quem será por todos?
Se eu
for assim, quem será... (fatal)

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Cara calada

Sentiu o travo à garganta como quando o sono se insinua, deitado na poltrona apertada e acolchoada do ônibus intermunicipal. A cabeça no encosto, olhos para o alto, céu chuvoso. Estava ali, a caminho, fazendo-se repetido outra vez, um bolachão riscado na melhor parte da música.

Para sua tristeza, não havia trazido guarda-chuva, e contra aquele aguaceiro que o pegara desprevinido nada poderia fazer. Chegou ao destino após as duas horas habituais, mais os dezesseis minutos inesperados. Venceu a catraca, o elevador e a recepcionista, chegando finalmente à sua mesa. Dezesseis minutos. Cartão de ponto passado como se passa uma lâmina num queijo em comercial de faca, e-mail com justificativa de atraso enviado para a empresa de contabilidade terceirizada. Tudo certo, tudo pronto. Em seu trabalho, almoça-se ao meio-dia.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Autonomia, mentiras e videoteipe

[Texto retirado do blog Autonomia e Justiça]

Paulo Martins
Professor Doutor do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP



Desde o início da crise na USP, o governo, de forma direta por seus representantes legais, ou indireta por seus asseclas, sistemática e programaticamente vem utilizando a imprensa escrita e eletrônica para mentir, dissimular e tergiversar. Entre os primeiros, encontramos o senhor Aloysio Nunes Ferreira Filho, secretário-chefe da Casa Civil do governo do Estado de São Paulo, que, em recente artigo publicado em “Tendências/Debates”, argumenta mais uma vez que o que não é desejado pelos alunos e demais membros da comunidade acadêmica da USP é a transparência, e, indo além, diz de forma subliminar que os decretos não são inconstitucionais , e, assim, por corolário, a crise está a serviço de objetivos outros que não a luta efetiva pela autonomia.
É uma pena que um governo, democraticamente eleito, em cujo bojo possui quadros que deveriam ser respeitados por sua importante história no movimento estudantil e na luta pela redemocratização do país, repita os mesmos “erros” dos algozes de nosso passado ditatorial. Isto é, inverta argumentos e crie cortina de fumaça cujo objetivo fundamental é confundir a opinião pública, colocando-a contra seus maiores bens - a USP, a UNICAMP e a UNESP.
Vamos aos argumentos do senhor Aloysio: “poucos se deram ao trabalho de estudá-los cuidadosamente ou de explicar de modo racional o que neles há de errado”. Primeira mentira. Nos últimos meses, as comunidades acadêmicas das Universidades Estaduais vêm diuturnamente analisando cada um dos decretos e tornando públicos seus efeitos. A maior preocupação dos cientistas que sobre os decretos se debruçam é não cometer leviandades em suas análises, e, talvez, por isso mesmo, tenham demorado tanto a dar uma resposta contundente aos mesmos. Afirmar que a intenção primeira, dentro das Universidades Estaduais Paulistas, dos que lá trabalham ou estudam não seja “estudar cuidadosamente” ou “explicar de modo racional” mostra bem há quanto tempo o senhor Secretário está afastado dos bancos escolares e, mais, precisamente, das Universidades.
Afirma, ainda, que o pomo da discórdia é a questão da transparência, implementada pelo decreto 51.636 e que as Universidades são resistentes a ela. Segunda mentira. Pelo que consta, jamais as Universidades Estaduais foram contra a prestação de contas diária no SIAFEM, tanto que, salvo equívoco, já a fazem sem restrições. O fulcro da questão é outro: o remanejamento de verbas que isso implica, ou ainda, a submissão das Universidades a uma autorização superior para utilizar seus recursos como bem lhe aprouver. Afinal, rezam a Constituição Federal (artigo 207) e a Constituição Estadual (artigo 254) que as Universidades gozam de autonomia administrativa, financeira e patrimonial. É descabido imaginar que professores, alunos e funcionários sejam contra a transparência em qualquer instância na medida em que são a favor da autonomia. Essas não são antônimas.
Bem, outro ponto que nos deixa pasmos é o vitupério empreendido pelo senhor Secretário, falando acerca do remanejamento das verbas como criação do governo Serra : “essa inverdade tem sido repetida por professores e até ‘juristas’ desinformados e jornalistas que não se deram ao trabalho de conferir o que iam escrever”. Dentre os professores desinformados encontram-se aqueles que se dedicam cotidianamente à reflexão séria, reconhecida internacionalmente, e que fazem o nome do nosso Estado, no que diz respeito à educação superior, ser considerado em todo o país e, fora dele, também. Afinal, as Universidades Estaduais Paulistas são responsáveis pela maioria da pesquisa de ponta realizada no Brasil e isso não se restringe às áreas técnicas e tecnológicas, antes vai muito além. É muito curioso o que acontece com este governo, pois utiliza as Universidades para seus programas eleitoreiros e eleitorais (quem não se lembra da última campanha), salientando suas qualidades, mas quando essas vão contra seus interesses escusos, então passam a ser centros de inverdades e de total desqualificação.
Entretanto, o que choca mesmo é a colocação de certas aspas em “juristas”, usadas pelo senhor Secretário. Pelo que sei, alguns nomes podem ser incluídos nesse rol: Dalmo de Abreu Dallari (Professor Titular da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e ex-Diretor da mesma Faculdade, com mais de vinte livros publicados com ênfase em Direito Constitucional) e Odete Medauar (Professora Titular de Direito Administrativo da Faculdade de Direito da USP, com mais de trinta livros publicados) – entre outros juristas –pelo posicionamento explícito diante das inconstitucionalidades dos “famigerados” decretos.
Não precisamos levantar o curriculum de cada um deles para verificar que, se podemos usar argumento jurídico de autoridade, não será o do senhor Secretário aquele que poderá emular com os dos conceituados juristas consultados pelos professores, alunos e funcionários. Desconsiderar a trajetória profissional de Dalmo de Abreu Dallari, por exemplo, seria negar inclusive a história de “lutas” dos mandatários desse governo quando ainda eram alvos constantes da ditadura militar.
Por outro lado, o vitupério se estende também aos jornalistas. Bem, jornalistas mal informados ou que não conferem suas fontes, esses, creio que o senhor Secretário os conhece muito bem, pois se encontram a serviço do Palácio dos Bandeirantes, reproduzindo ipsis litteris, o que o poder constituído determina. Basta observarmos as matérias veiculadas pela revista Veja.
Com o artigo do senhor Aloysio, o governo mais uma vez tergiversa. Foge da questão central. Os decretos ferem, sim, a autonomia e argumentos abundam e são facilmente verificados por aqueles que possuem um curso elementar de português. Nós, professores, não somos contra a transparência, somos contra a utilização de uma suposta “legalidade”, embutida na forma de decretos. Somos a favor daquilo que é legítimo direito e ampara toda a forma de luta para resgatar, se ainda há tempo, a liberdade de as Universidades Estatuais Paulistas decidirem seus destinos internamente de acordo com a Carta Magna do país e do Estado e de acordo com seus interesses. Esses, sim, têm um único fim: a manutenção da qualidade e da transparência incontestes.
Ao lermos o texto do senhor Aloysio Nunes Ferreira Filho, temos a sensação de déjà vu como aquele filme que é repetido sistematicamente todo ano depois do Fantástico, ou ainda, como o videoteipe do milésimo gol do Pelé ou do Romário, ou pior – para nós professores, alunos e funcionários da USP, UNICAMP e UNESP –, como as ações programáticas que servem, a cada novo governo, para soterrar algo que ainda há de bom no Estado de São Paulo – as nossas Universidades.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Rio de Janeiro 2000

Saído novamente de
trincheiras periféricas
o homem do povo
caminha
.

Ao largo, passam viaturas,
Caveirões com vidas dentro
– a antítese consumada –,
zunidos.

–Há caminhos livres?


Post duplo!

Há um tempinho atrás, um texto meu sobre o sítio de Glauco Mattoso, contendo um manual de versificação, foi publicado num site de literatura e cultura – o Cronópios (endereço na seção de linques do blog).

Fiquei animado por ter sido este meu primeiro material crítico – mesmo que não tenha ficado excelente –. Bom, fica aí o registro.

Pra quem quiser dar uma olhada, o sítio desta obra de Glauco Mattoso é este.


domingo, 29 de abril de 2007

Sobre o revisor pobre

Empunha uma caneta em cada mão!
Rupestre tal ofício: corrigir
os erros de quem erra ao se exprimir
com verbo, fraseado, conjunção.

Parece reescrever co'a gasta mão
os textos, numa lida qual faquir,
de novo preparado a redigir
correndo pra entregar na data então.

"Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!"
Em busca de sua paga pro aluguel.
Receio de verdade é ir pra rua.

Os olhos castigados por cinzel
pontudo da chatice da leitura
dos textos editados a granel...




Num dia em que eu estava mais engraçadinho do que o normal escrevi esse sonetinho aí...

quarta-feira, 28 de março de 2007





Do alto de minha janela
o silêncio da avenida.

Leve zumbido
gostoso.
Sibilo de vento.

Branco(Verde?) de lâmpadas enganosas,
o duvidoso escuro noturno.





segunda-feira, 26 de março de 2007

Acordação

Noites de des-sono
que repasso.
Que vêm e vão e
nem notadas são.
De uma treva escura tão

surge

uma aurora de azul-branco
que janelas fechadas
não me deixam ver.

Acorda, boneco de trapo, e
vai trabalhar!





Psicologia de um vencido


Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Augusto dos Anjos



Li poucas coisas tão pungentes quanto esse poema. A sensação que vem primeiro é a de ondulação, mistura ordenada de sons fluindo no fundo de um poço escuro.
Esses versos não saem da minha cabeça. 2h41, tenho de dormir.


Sorte no lado escuro do peito
é o jeito de ser do alguém
Escrita automática, idéias confusas
meu jeito de ser é o aquém

Dó de mim

Juro que não vou mudar
Juro que vou esperar
dentro do lado escuro do peito

Juro que não vou mudar
Juro que vou esperar
Sempre vou ser assim do meu jeito.


Talvez tenha um ouvido meio musical, pra coisa mesmo. Talvez seja só vontade de ser algo que não posso. Por que escrevo sempre de madrugada? É a melhor hora. Ninguém me lê, tenho minhas liberdades todas no escuro do meu lar. As pessoas dormindo e eu escrevendo, sangrando pelos dedos e nem sempre criando algo que tire um sorriso meu nem mesmo numa primeira e empolgada leitura. Às vezes acho que não levo mesmo jeito pra coisa.

Não agüento parar mais as coisas pela metade.

quinta-feira, 8 de março de 2007

Pensamentos avulsos

Não suporto mais a cidade, todo esse barulho, calor. Acordo para ir trabalhar e, já próximo, sinto um cadeado apertar-me a garganta, uma secura, poluição.

Todo esse barulho me faz mal, ao menos pela manhã. Ao chegar da tarde já estou integrado ao caos, por mais que soe (sou) contraditório.

O prédio onde trabalho tem quatro andares – trabalho no último. Não gosto de elevador, escada rolante...a escada rolante é a negação do movimento! Que venha abaixo a escada rolante!...


Entre o falso e o costumaz me esgoto
Vivendo numa quase-cidade: esgoto.
Mirando o meio-fio desengulo o desgosto.

Vivo pois assim, numa coisa
estranha que em mim cria
sensação de não sei dizer.

Cidade, às vezes acho que te odeio.


Esta luta diária me deixa lento, mole e murcho. Só me dá vontade de olhar pro céu, pra rua, ver as pessoas passarem, todas com pressa...

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Último álbum da banda paulistana com mais de trinta anos de carreira – uns dez de inatividade.
Muito saboroso, vale a pena conferir!

Download aqui.


segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Primeira coisa útil (!) no blog!

Olá a todos! A princípio, vou colocar alguns links para fansites de um mangá muito bacana: Tenjou Tenge!




http://tenjou-tenge.tk/
Ótimo site italiano, com screenshots de todos os episódios.

http://www.natsume-fr.net/
Com um layout elegante e mangás para download em francês e inglês.


http://s15.invisionfree.com/Tsuki_Rakuen
Forum de RPG de Tenjou Tenge. Sistema simples e rápido, além de muito divertido!



Por enquanto, apenas isso. Conforme for achando, atualizarei esta seção. Aceito contribuições!

Abraço a todos. ^^